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Hangar do Zeppelin

O chamado  Hangar do Zeppelin  localiza-se no  bairro  de  Santa Cruz  na  cidade do Rio de Janeiro, no  Brasil.

Nas dependências da  Base Aérea de Santa Cruz, da  Força Aérea Brasileira, trata-se de um  hangar, edificação de grandes dimensões destinada a abrigar os  dirigíveis  alemães  conhecidos como  zeppelin.

A primeira viagem transatlântica de um dirigível entre a  Alemanha  e a  América do Sul  foi registrada em maio de  1930, tendo o  LZ 127 Graf Zeppelin  decolado de  Friedrichshafen  no dia  18  e chegado ao  aeroporto  de dirigíveis nas cercanias da cidade do  Recife, em  Pernambuco, a  21  do mesmo mês. Prosseguindo a viagem, pousou no  Campo dos Afonsos, no Rio de Janeiro no dia  25, causando alvoroço na então Capital Federal.

Após essa bem-sucedida viagem transatlântica inaugural, os  zeppelins  realizaram três viagens ao Brasil em  1931  e mais nove em  1932.

Devido a esse sucesso, a empresa  [1]  obteve autorização do Governo brasileiro para construir um aeroporto, com instalações adequadas para a ancoragem e proteção das suas aeronaves. Desse modo, em  1933, os técnicos alemães da empresa vieram ao país para escolher uma área apropriada para o pouso e abrigo das aeronaves. Após meticulosos estudos climáticos, de direção e velocidade dos ventos, e também das possibilidades de meios de transporte, foi escolhida uma área próxima à  baía de Sepetiba, no bairro de Santa Cruz, noRio de Janeiro[2].

No ano seguinte (1934), o hangar, concebido por engenheiros alemães, começou a ser construído pela  Construtora Nacional Condor  empresa brasileira que seguiu as instruções estritas de montagem do enorme conjunto pré-fabricado recebido da Alemanha. Um acordo entre o governo brasileiro e a empresa alemã previa a construção e operação do aeródromo no local, que mais tarde foi denominado de  Bartolomeu de Gusmão.

Finalmente, em  26 de dezembro  de  1936, o imenso hangar foi inaugurado, com a ativação de uma linha regular de transportes aéreos que ligava  Frankfurt  ao Rio de Janeiro (com escala em Recife), na presença do então presidente  Getúlio Vargas.

Logo que começaram a chegar os primeiros dirigíveis, eram necessários duzentos homens, que ficavam na pista para ajudar a atracá-los, segurando os seus cabos, trabalhadores apelidados de  aranhas.

O uso do hangar foi de pouca duração uma vez que, em  1937, o último zeppelin decolava do aeródromo após nove viagens ligando o Brasil à Europa. Dentre essas viagens, quatro foram realizadas pelo  Hindenburg  e cinco pelo  Graf Zeppelin.

Com a tragédia do  Hindenburg  (1937) e a eclosão da  Segunda Guerra Mundial  (1939), o antigo  Aeroporto Bartolomeu de Gusmão  foi transformado na  Base Aérea de Santa Cruz(1941), e o hangar passou a abrigar as diversas unidades aéreas militares que ali se instalaram ao longo dos anos.

Atualmente, este é um dos últimos hangares para dirigíveis existentes no mundo. Ainda sobreviveram entre outros, o que servia nos Estados Unidos, o Hangar Number One, em Lakehurst (Naval Air Station Lakehurst), e que se transformou em monumento nacional. Em Akron, estado de Ohio, existe ainda o Akron Airdock da Goodyear. Na  Inglaterra, também estão preservados, em Cardington, os hangares que se destinavam aos dirigíveis R-100 e R-101[5]. Na Alemanha, em 1940, o hangar de Frankfurt foi demolido por ordem deHermann Göring, após o desmantelamento do LZ-127 e do LZ-130, e os hangares de Friedrichshaffen, foram pesadamente bombardeados na Segunda Guerra e não foram reparados. NaItália, encontra-se em mau estado o pouco conhecido "Hangar de Dirigíveis de Augusta", na  Sicília, construído após  1917.

Na cidade do  Recife, no estado de  Pernambuco, sobreviveu a chamada  Torre do Zeppelin, o antigo mastro de atracação para dirigíveis, considerado o último exemplar original no mundo deste equipamento. É um bem histórico cultural, tombado em  1983  pelo governo daquele estado.

O edifício do hangar da  Base Aérea de Santa Cruz, encontra-se tombado pelo  Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional  (IPHAN), desde  1998, recebendo a inscrição de tombamento no  550. É um dos últimos exemplares e um dos mais bem conservados no mundo hoje.

O  hangar, construído para acomodar as gigantescas  aeronaves, tem grandes dimensões: 274 metros de comprimento, 58 metros de altura e 58 metros de largura. Orientado no sentido Norte/Sul, o seu  portão  Norte, com 28 metros de largura e 26 metros de altura servia apenas para ventilação e saída da  torre  de atracação, sendo aberto manualmente. O portão Sul, o principal, abria-se em toda a altura do hangar e possuía duas folhas de 80 toneladas de peso cada uma. Estas portas eram abertas graças a potentes motores elétricos ou alternativamente, de forma manual. As instalações elétricas eram revestidas por uma blindagem para evitar o surgimento de qualquer fagulha, que poderia causar um  incêndio  catastrófico nos dirigíveis. No topo do hangar, a 61 metros de altura, existe uma torre de comando, de onde se pode avistar toda a área circundante, desdeSepetiba  até ao  rio Guandu.

Fontes: link 01

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