Idioma:

portugues portugues

Complexo do Alemão

Poucos moradores da cidade do Rio de Janeiro sabem que o Morro do Alemão se trata de um bairro oficial desde 1993. Embora partes de suas áreas sejam muitas vezes tratadas como partes dos bairros vizinhos: Ramos, Penha, Olaria, Inhauma e Bonsuccesso.

Considerada hoje uma das maiores e mais populosas favelas do Rio, o Complexo do Alemão era uma enorme fazenda até o final dos anos 40. Seu primeiro proprietário foi um imigrante de origem Polonesa e por conta de sua aparência, os moradores da região passaram a se referir ao dono daquelas terras como “Alemão”.

O terreno do “Alemão”, aos poucos foi sendo vendido para famílias que procuravam moradia barata na Zona Norte. Na década de 60, houve um grande fluxo de migrantes nordestinos para o morro. A explosão demográfica só ocorreu na década de 80, quando o então governador Leonel Brisola autorizou as invasões e a favela se multiplicou.

No início dos anos 90 começou a ser erguido o império das armas no complexo. A história de 20 anos de domínio do tráfico começou a ser escrita por Orlando Conceição Filho, o Orlando jogador. Este acabou sendo morto numa emboscada por outro traficante, Eraldo Pinto de Medeiros, o UÊ. Entre guerras e batalhas, mortes e traições, o Complexo do Alemão se denominava Comando Vermelho (CV).

Essa região, que é composta por 15 favelas (Morro da Baiana, Morro do Alemão, Alvorada, Matinha, Morro dos Mineiros, Nova Brasília, Pedra do Sapo, Palmeiras, Fazendinha, Grota, Morro da Chatuba, Caracol, Favelinha, Caixa D’água e Morro do Adeus). É também conhecida pelos Bailes Funk, os mais conhecidos ficam na Chatuba e Grota. Nesses bailes, além do funk o consumo de drogas e o sexo eram predominantes no local.

Porém em 25 de novembro de 2010, a Polícia Militar,com apoio da Marinha do Brasil, fez uma operação especial para tomar o controle da Vila Cruzeiro. Os traficantes fugiram para o Complexo do Alemão e, no dia 26 de Novembro, a Polícia Militar, a Polícia Federal, a Polícia Civil e as Forças Armadas se posicionaram nos arredores do Complexo, buscando tirar o controle do tráfico nesta região.

Houve intensa troca de tiros entre traficantes e policiais militares no início da noite do dia 26.

O traficante Anderson Roberto da Silva Oliveira, o Dande, foi preso por policiais da Delegacia de Repressão a Armas e Explosivos (Drae). Até aquela tarde, 36 pessoas já tinham sido mortas durante a onda de violência no Rio

Os traficantes, diante da perda de território, passaram a cometer atos terroristas pela metrópole do Rio de Janeiro, gerando desordem e pânico na população.

Poucos dias depois, o BOPE e as forças armadas fizeram uma operação para a retomada do Complexo do Alemão. Os traficantes fugiram pela mata, devido a sua topografia desigual.

Nesta operação, o BOPE apreendeu cerca de 40 toneladas de maconha, cocaína, crack e armas de grosso calibre. Seria efetuado o balanço final somente no final da operação.

No dia 27 de novembro, ao final da tarde, cerca de 31 traficantes se renderam à polícia. O Complexo do Alemão foi controlado pela Polícia do Estado, com apoio das Forças Armadas. Prevê-se que o Exército permaneça na área por mais um ano e meio, até que seja instalada uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) na região.

A sensação real e geral de segurança foi apenas o primeiro ganho visível com a recuperação do território de comunidades do Rio de Janeiro e a instalação das UPPs.

Quase ao mesmo tempo, vários outros elementos de cidadania começaram a surgir. Entre os mais importantes está a criação de caminhos para a recuperação da econômica dessas comunidades. Locais que, historicamente, sobreviveram espremidos entre a ausência do Estado e a relação autoritária, constrangedora e muitas vezes perigosa com o tráfico.

Por isso, a chegada de empresas que nunca fizeram parte da economia dessas legítimas cidades encravadas nos morros cariocas não deixa de ser uma bela notícia.

Na ditadura do tráfico, investimentos e empreendimentos eram feitos com poucos códigos e os recursos possíveis. Os moradores eram reprimidos e jamais poderiam comentar sobre os fatos ocorridos na favela com a imprensa. Agora com a desocupação do tráfico, tudo mudou, eles se sentem mais livres para entrar e sair de suas casas e transitam pelas ruas da favela sem medo de ser retalhado ou pego de surpresa por tiros vindos de todos os lados. E não satisfeitos, se adiantam aos processos públicos construindo caminhos próprios. Isso é bonito. Os resultados explodirão em pouco tempo.

Fontes: link 01, link 02.

Galeria de Fotos

Pic RSS facebook twitter

Copyright @2010 HistoriadoRio. All rights reserved